domingo, 16 de outubro de 2011

Resposta

“Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...” Cecília Meireles

[ Não há esperança, nem medo e nem caminho. Só há um destino, aquele que talvez ultrapasse nossas esperanças, fazendo-nos, aproximar pela doçura dos detalhes, pelo encanto da poesia e não há o que negar. Eu já sabia, confesso. ]
Mas só me fez bem. Eu me lembro da primeira vez como se fosse hoje. Um encontro de dois; olhos nos olhos, face a face, troca de olhares descuidados de canto-de-olho, uma vontade de querer-te o que, até não se sabe quando...E o beijo que não aconteceu, ah aquele beijo.Você me tirou pra dançar, sem nunca sair do lugar, sem botar os pés no chão, sem música pra acompanhar. Se lembra? Se lembra de como a noite ficou, como as luzes brilharam, como não existiu poesia, nem traços e entre-linhas e foi tudo tão...único.
Há duas primaveras que vejo o tempo passar em miúdos segundos de paciência. Construir um castelo leva tempo, é como se cada grão fosse posto em seu lugar dia a dia, incansavelmente construído e destruído algumas vezes, para que pudesse se reerguer com mais segurança, mais confiança, sem que qualquer vento vindo de outra estação trouxesse uma brisa de saudade, fazendo com que a inconstante areia fosse soprada pra longe.
Mas me apego. Apego-me a força com que as mãos se cruzam e como o toque dos corpos se assemelham numa mistura de magia e emoção. Acredito nessa história de in-saberes, procuro as respostas nas finas marcas deixadas, como se fossem estigmas meados da verdade. Eu quero, como sempre quis. É a minha vida posta na sua, é a faísca que se desprende da matéria em combustão. Quero o andar da vida, a correria do dia-a-dia, quero poder deitar de lado e sentir o perfume de quem está ali, impregnada no travesseiro exalando no que da noite deixou. O quente e o frio, e a mesa do café da manhã, de propósito agrado pedindo para que fique mais um pouco.

Dani*