Até o céu parecia meio cinzento, dias que parecem descartados pela beleza de alguém que o criou com tanto vigor. Vento ameno, rua suja, cenário perfeito para uma parada na esquina, um suspiro e um pensamento.
As vezes queremos tanto entender as coisas, que elas passam pela nossa frente, acenando e chamando a atenção e por isso, não vemos seus sinais explícitos numa faixa invisível diante seus olhos.
Quando o dia amanhece assim, já dá pra perceber que alguma coisa vai acontecer, não é porque uma folha de árvore voou sem cair no chão, nem porque os passarinhos se calaram que a vida vai estagnar na sua rotina. É apenas porque alguém se deu conta de que nada adianta abrir os olhos e não ver, que a decisão a ser tomada não pode ser adiada, que na vida a gente precisa ter fé.
Nenhum ruído fazia certeza naquele lugar, até parecia uma obra-prima quando é produzida calmamente, vendo seus traços serem lentamente moldados por uma mão que suada, fazia-se perdida em contornos e explicações desnecessárias. Mas o coração e os olhos não se agüentam, por mais que a vontade de fugir e esquecer seja a mais forte do mundo, é essa, a pequena diferença entre uma [pausa e o agir] que faz com que nada mais importe.
Então foi assim, sem falas, sem medo, saiu. Aquele ponto lá no final ficou pra trás solto em meio a tantas incertezas, não dá pra levar uma vida toda mergulhado em uma fonte de lembranças que atormentam a cabeça e remexem velhos e novos pensamentos. Mas melhor mesmo, é estar amparado por vírgulas que sempre separam as palavras das oportunidades, outras vezes re-ecaminham e dão continuidade àquela esperança quase perdida. E é esta mistura que tudo faz, e faz acreditar denovo.Dani*