domingo, 24 de outubro de 2010

Sobre aquele ponto, lá no final.

Até o céu parecia meio cinzento, dias que parecem descartados pela beleza de alguém que o criou com tanto vigor. Vento ameno, rua suja, cenário perfeito para uma parada na esquina, um suspiro e um pensamento.
As vezes queremos tanto entender as coisas, que elas passam pela nossa frente, acenando e chamando a atenção e por isso, não vemos seus sinais explícitos numa faixa invisível diante seus olhos.
Quando o dia amanhece assim, já dá pra perceber que alguma coisa vai acontecer, não é porque uma folha de árvore voou sem cair no chão, nem porque os passarinhos se calaram que a vida vai estagnar na sua rotina. É apenas porque alguém se deu conta de que nada adianta abrir os olhos e não ver, que a decisão a ser tomada não pode ser adiada, que na vida a gente precisa ter fé.
Nenhum ruído fazia certeza naquele lugar, até parecia uma obra-prima quando é produzida calmamente, vendo seus traços serem lentamente moldados por uma mão que suada, fazia-se perdida em contornos e explicações desnecessárias. Mas o coração e os olhos não se agüentam, por mais que a vontade de fugir e esquecer seja a mais forte do mundo, é essa, a pequena diferença entre uma [pausa e o agir] que faz com que nada mais importe.
Então foi assim, sem falas, sem medo, saiu. Aquele ponto lá no final ficou pra trás solto em meio a tantas incertezas, não dá pra levar uma vida toda mergulhado em uma fonte de lembranças que atormentam a cabeça e remexem velhos e novos pensamentos. Mas melhor mesmo, é estar amparado por vírgulas que sempre separam as palavras das oportunidades, outras vezes re-ecaminham e dão continuidade àquela esperança quase perdida. E é esta mistura que tudo faz, e faz acreditar denovo.

Dani*

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

De bruços na janela

E mesmo fugindo ao tempo, quando o sol ainda trazia seus ultimos raios. Lá estava ela...de bruços na janela


Lá estava ela
de bruços na janela
esperando alguém passar
Seu olhar de canto ameno,
querendo aos poucos se apaixonar

Passou o cavalheiro
lhe acendando com o chapéu
-Não te iludas pequenina, não te chamas Rapunzel
-Saia da janela!
-Esse homem é personagem em papel

De bruços na janela
suspirou a borralheira
Viu fumaça de charuto a diante
e um assovio de chaleira

Fechou a janela
perdeu a carência
Esqueceu a sombra
-Nao mereces casta bela,
vives de aparência!


*Dani

terça-feira, 12 de outubro de 2010

É claro que eu to afim...


Naquele bar,
Um canto pra sentar
Uma bebida pra acalmar

Só um sorriso a disfarçar
Pequena indecisão desse olhar
Um gole
Garçom, só mais uma coisa
-nem sei mais rimar!

As mãos tremem sem parar
Uma dose de verdade pra acalmar
Um coração que nem sabe o que pensar
Os braços cruzados sobre o rosto a respirar,
-Garçom,
Um sonho e duas tequilas por favor?


Dani*

.

domingo, 10 de outubro de 2010

Viagem

      ...
Sem encontrar um lugar para se assentar, saiu correndo em busca de alguma coisa que não a fizesse ficar parada no mesmo lugar, correu atrás de rios, pulou montanhas, atravessou pontes, andou..andou...cansou. Parou.
      Nesta parada, sem ao menos perceber onde estava, tinha se encontrado. Era ali, naquele lugar. Onde as horas passavam sem que o relógio funcionasse, não havia alto-falantes vindos de fora, só uma sinfonia calma vinda de dentro. Tudo era tão irreal que a levava para pensamentos distantes, pesquisando certas fronteiras, novos caminhos, ia pra longe sem sair do lugar. Às vezes a noite ficava tão clara, mas tão clara, que a sensação que dava era de que ali não havia escuridão.
      Uma vez, quando quis voar sobre os limites da inocência, sem pensar que era errado já pensando que era certo, entregou-se como uma folha ao vento de outono, vendo de longe a primavera brotando dentro de si, cores de todas as cores traziam o perfume concreto daquilo que ela sabia, era tão lindo. Perfeita borboleta nos dias quentes, infame, entregue, quase se esquecia de toda sua beleza.
     E os dias que se sucederam também eram assim, multicoloridos, e ela adentrava-se cada vez mais na estrada sem rumo, sabendo da parte que lhe cabia, era a parte de fazer-se feliz, encontrar um significado em cada cantinho reservado da vida, tirava do bolso velhas lembranças e jogava-as contra a parede e saía dali sem resgatar nenhum vestígio de passado.   
    Assim os dias ao contrário foram passando, ela continuava a voar, desta vez mais baixo. Tinha tomado certas condições, ingerido mais coragem, embriagava-se facilmente com oportunidades. Estava sendo radicalmente mudada, como na metamorfose anterior, contudo desta vez, havia bem mais do que corpo, despia-se de alma.
   A viagem chegara ao fim, muitas paisagens, enormes vivências. Pouso tranqüilo. Andava suavemente descalça sobre as pedras, diante de um infinito repleto de marcas e direções.
   E assim, sem encontrar um lugar para se assentar, ficou parada no mesmo lugar.


Dani*

.

sábado, 9 de outubro de 2010

Despedida

E se te perco?
onde demoras...

Será o tempo?
conto as horas...

Viu o céu azul?
os passarinhos cantam...

                    E naquela labareda lenta
                    os versos se desmontam

Sente a chuva no horizonte?
tem goteira aqui...

                  E o relógio vai embora
                  sem juntar finos ponteiros
                  despedindo-se da aurora,
                  E também do forasteiro.


Dani*