segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Abalo

Um beijo e um par de sapatos na mão
ajoelhou-se diante à bela
-palpitou o coração
Era aquele dia, na hora marcada
tudo previsto, grande emoção

A escada, subiu
tinha uma porta
tranquila e delicada
-abriu

Paredes de cor azul
abajur iluminando pouco
junto ao sonho sendo desperto,
ventos vindos do sul

Antes que pudesse ter alguma reação
frente a frente com sua sorte
disparada contra o tempo
-caiu sobre o chão-


*Dani

sábado, 4 de dezembro de 2010

Mangabeira

“...mas algo de reluzente chamava mais a atenção, à beira da cerca havia uma mangueira, tão nova e formosa que sua juventude transcendia toda a beleza do lugar. Nem sempre fora assim. Ela depois de nascida e criada não despertava mais olhares de outrem e nem se fazia tão humildemente bela, sua textura acabava que por tão macia a cobrir todo o plano, e agora...”

Eu voltava àquele mesmo lugar, onde tantas vezes pensando quis ficar parada, onde parecia que o mundo todo tapava a boca e fechava os olhos só para que eu pudesse sentir o valor do vento. E eu sentia, sentia tão suavemente a brisa cor-de-laranja que passava invisível aos olhos e sensível à pele.
A raiz crescera, seu tronco tomou formas que as listras se distanciaram do chão. E a copa. A copa de tão nova e indecisa pôs-se a murchar com o passar do tempo, suas folhas nao reluziam o mesmo brilho onde a gota do orvalho escorregava tão sublime deixando um rastro de magia por onde passava todos os dias em cada amanhecer.
Na verdade nao havia mais copa, só um amanhecer sem graça coberto pelo resto de vida marrom que nela havia.
Quando a toquei, vi que os riscos estavam apagados, bem como uma cicatriz a fechar aquele corpo nu vindo da terra, ela estava tão diferente, ela estava quase sozinha. Aquele coração que haviam desenhado nela há muito tempo, já não se encontrava mais lá, tentei olhar ao seu redor, passei os dedos sobre o tronco, procurei, mas realmente não estava mais lá. Roubaram um coração! E nem deixaram vestígios para que pudesse ir atrás, levaram para longe aquele sonho de entrelaçar dois nomes outra vez.
Aquela mangueira à beira da cerca estava envelhecida, sua beleza autêntica da juventude estava sem brilho, sabemos como é a juventude, flor da manhã de primavera! Porém, não é preciso ter olhos de poeta pra imaginar o quanto de historia havia nela, o quanto da experiência estava cravado em seus galhos, o quanto de magnitude havia em seus doces frutos.
Mas o que importa, é que ela ainda estava lá, forte e visivelmente esperançosa. Era ela e eu, naquele lugar que ainda ostentava uma paisagem de porta-retrato e uma brisa quase colorida. Fiquei olhando aquela mangueira e um sorriso abraçava minha alma, já sabia que o tempo havia passado. Que bom!
A mangueira também havia crescido e retirado dela aquilo que a sufocava, apagou o coração que lhe causava sofrimento e deu uma nova forma à sua beleza.
Uma beleza que agora se fazia imperfeitamente feliz.


*Dani

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Aquela saudade

    Sem perceber,  havia viajado no tempo e quanto tempo fiquei desacordada até uma lágrima interromper meu pensamento e sujar o papel que escrevia.
    Senti tanta saudade das pessoas que passaram por minha vida, e por um instante senti-me flutuando em lembranças sobre elas.

Como era bom aquele tempo em que nada, parecia tudo. E que o tudo era tão pouco. E bom.

    Gostaria tanto de rever meus amigos da escola, aqueles que me faziam rir pela manhã sem que eu fizesse nenhum esforço para tal.
    Lembro-me da Pam, que sentava-se atrás da minha carteira [sempre enconstadas na parede, lembra?], muitos risos e confidências foram trocadas na distância de um palmo. Sua lógica para entender matemática me deixava com inveja, sua meiguice era parte fundamental da sua personalidade. Me lembro também da Bárbara, quanto tempo, quantas mudanças! Ela era tão cdf e suas folhinhas de estudo eram tão úteis, que só se contrastava com o jeito "Metal" de viver.
    Por um instante não se choro ou dou risada por tentar desembaralhar sentimentos que permanecem inalteráveis e que a cada segundo é acrescentado a alguma lembrança nova. Aquela rotina, aquela vivência tão especial;
    Como não lembrar do Felipe e suas palhaçadas. Tento imaginá-lo hoje, todo responsável e "crescidinho", sem esquecer por nenhum instante das risadas que demos, de tantas e tantas manhãs de alegria que tivemos. Ele só ficava mais engraçado quando brigava com a Alê, falando nela...ô saudade! Era alguém tão íntima e tão próxima, que dialogávamos "horas-lua" e trocávamos as mais intensas histórias. Sua autenticidade um tanto "brigona", mantém este compaherismo e afeto ao longo do tempo.

Meus amigos, parte necessária da minha vida, minhas grandes saudades!

    Lembro-me da Raisa, fomos apenas cúmplices em nossas "garotagens" e fizemos tanta coisa juntas que cada cena se repete e faz minha alma transbordar de alegria ao saber que fomos tão amigas.
    Como nao lembar da Gabi e seu jeito simples de viver, até seus ataques histéricos nas aulas da prof. Rosa me faz rir até agora. E não preciso forçar a memória para lembrar do Ricardinho, todo tranquilão, na sua, era mesmo muito engraçado quando ele e o Fê se juntavam para aprontar alguma coisa.

Falo de anos passados, anos vividos de maneira tão intensa, que poucas, ou quase nenhuma palavra consegue ter esta imensidão, esse infinito de carinho e saudades de uma fase que se foi e agora nao volta mais.

    Só mais uma coisa: Lembranças, saudades...


Dani*

sábado, 13 de novembro de 2010

"Ah...se eu pudesse"

"Ah...se eu pudesse
perderia o medo e
logo tão simples
diria antigos versos
colocaria as mãos sobre seu rosto
e acalmaria minha'lma

Se eu pudesse
sairia pela noite a
procura da mais linda estrela
falaria aos teus ouvidos
tudo aquilo que guardo

aqui dentro

Se eu pudesse faria-te apaixonar
por aquela, que de leve
dança sobre as palavras
tentando buscar um sentido

Se eu pudesse mesmo
traria de volta aquela vida
que de tão perdida
não sabe mais onde pousar.
"

Dani*

domingo, 24 de outubro de 2010

Sobre aquele ponto, lá no final.

Até o céu parecia meio cinzento, dias que parecem descartados pela beleza de alguém que o criou com tanto vigor. Vento ameno, rua suja, cenário perfeito para uma parada na esquina, um suspiro e um pensamento.
As vezes queremos tanto entender as coisas, que elas passam pela nossa frente, acenando e chamando a atenção e por isso, não vemos seus sinais explícitos numa faixa invisível diante seus olhos.
Quando o dia amanhece assim, já dá pra perceber que alguma coisa vai acontecer, não é porque uma folha de árvore voou sem cair no chão, nem porque os passarinhos se calaram que a vida vai estagnar na sua rotina. É apenas porque alguém se deu conta de que nada adianta abrir os olhos e não ver, que a decisão a ser tomada não pode ser adiada, que na vida a gente precisa ter fé.
Nenhum ruído fazia certeza naquele lugar, até parecia uma obra-prima quando é produzida calmamente, vendo seus traços serem lentamente moldados por uma mão que suada, fazia-se perdida em contornos e explicações desnecessárias. Mas o coração e os olhos não se agüentam, por mais que a vontade de fugir e esquecer seja a mais forte do mundo, é essa, a pequena diferença entre uma [pausa e o agir] que faz com que nada mais importe.
Então foi assim, sem falas, sem medo, saiu. Aquele ponto lá no final ficou pra trás solto em meio a tantas incertezas, não dá pra levar uma vida toda mergulhado em uma fonte de lembranças que atormentam a cabeça e remexem velhos e novos pensamentos. Mas melhor mesmo, é estar amparado por vírgulas que sempre separam as palavras das oportunidades, outras vezes re-ecaminham e dão continuidade àquela esperança quase perdida. E é esta mistura que tudo faz, e faz acreditar denovo.

Dani*

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

De bruços na janela

E mesmo fugindo ao tempo, quando o sol ainda trazia seus ultimos raios. Lá estava ela...de bruços na janela


Lá estava ela
de bruços na janela
esperando alguém passar
Seu olhar de canto ameno,
querendo aos poucos se apaixonar

Passou o cavalheiro
lhe acendando com o chapéu
-Não te iludas pequenina, não te chamas Rapunzel
-Saia da janela!
-Esse homem é personagem em papel

De bruços na janela
suspirou a borralheira
Viu fumaça de charuto a diante
e um assovio de chaleira

Fechou a janela
perdeu a carência
Esqueceu a sombra
-Nao mereces casta bela,
vives de aparência!


*Dani

terça-feira, 12 de outubro de 2010

É claro que eu to afim...


Naquele bar,
Um canto pra sentar
Uma bebida pra acalmar

Só um sorriso a disfarçar
Pequena indecisão desse olhar
Um gole
Garçom, só mais uma coisa
-nem sei mais rimar!

As mãos tremem sem parar
Uma dose de verdade pra acalmar
Um coração que nem sabe o que pensar
Os braços cruzados sobre o rosto a respirar,
-Garçom,
Um sonho e duas tequilas por favor?


Dani*

.

domingo, 10 de outubro de 2010

Viagem

      ...
Sem encontrar um lugar para se assentar, saiu correndo em busca de alguma coisa que não a fizesse ficar parada no mesmo lugar, correu atrás de rios, pulou montanhas, atravessou pontes, andou..andou...cansou. Parou.
      Nesta parada, sem ao menos perceber onde estava, tinha se encontrado. Era ali, naquele lugar. Onde as horas passavam sem que o relógio funcionasse, não havia alto-falantes vindos de fora, só uma sinfonia calma vinda de dentro. Tudo era tão irreal que a levava para pensamentos distantes, pesquisando certas fronteiras, novos caminhos, ia pra longe sem sair do lugar. Às vezes a noite ficava tão clara, mas tão clara, que a sensação que dava era de que ali não havia escuridão.
      Uma vez, quando quis voar sobre os limites da inocência, sem pensar que era errado já pensando que era certo, entregou-se como uma folha ao vento de outono, vendo de longe a primavera brotando dentro de si, cores de todas as cores traziam o perfume concreto daquilo que ela sabia, era tão lindo. Perfeita borboleta nos dias quentes, infame, entregue, quase se esquecia de toda sua beleza.
     E os dias que se sucederam também eram assim, multicoloridos, e ela adentrava-se cada vez mais na estrada sem rumo, sabendo da parte que lhe cabia, era a parte de fazer-se feliz, encontrar um significado em cada cantinho reservado da vida, tirava do bolso velhas lembranças e jogava-as contra a parede e saía dali sem resgatar nenhum vestígio de passado.   
    Assim os dias ao contrário foram passando, ela continuava a voar, desta vez mais baixo. Tinha tomado certas condições, ingerido mais coragem, embriagava-se facilmente com oportunidades. Estava sendo radicalmente mudada, como na metamorfose anterior, contudo desta vez, havia bem mais do que corpo, despia-se de alma.
   A viagem chegara ao fim, muitas paisagens, enormes vivências. Pouso tranqüilo. Andava suavemente descalça sobre as pedras, diante de um infinito repleto de marcas e direções.
   E assim, sem encontrar um lugar para se assentar, ficou parada no mesmo lugar.


Dani*

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sábado, 9 de outubro de 2010

Despedida

E se te perco?
onde demoras...

Será o tempo?
conto as horas...

Viu o céu azul?
os passarinhos cantam...

                    E naquela labareda lenta
                    os versos se desmontam

Sente a chuva no horizonte?
tem goteira aqui...

                  E o relógio vai embora
                  sem juntar finos ponteiros
                  despedindo-se da aurora,
                  E também do forasteiro.


Dani*

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

E as batidas se repetem

"Se o coração vai batendo como sempre bateu, a gente até se esquece que ele existe. Nao é necessário conhecer aquilo que nao incomoda. Quando a vida vai bem, o conhecimento dá lugar ao puro prazer. Até que aparece uma "extra-sístole", batida inesperada do coração, fora de hora, que faz o peito sentir o seu pulsar lá dentro. Coisa sem importância...


Só que o corpo nao acredita muito nisto. Ele sabe que toda novidade faz mal. As coisas deixaram de ser como eram...


Seria melhor nem saber que o coração existe. E ele teria permanecido no escuro, nao fora a novidade que interrompeu o seu bater binário, monótono e esquecido...


Mas agora, o corpo inteiro pula, sobressaltado. Nao estava lá na semana passada. Coisa nova que a mão descobriu, com susto. Novidade.


Que poderá ser? com certeza boa coisa nao é. Bom mesmo é o peito como sempre foi...como ele era tranquilo na sua monotona mesmice...será? Dúvida.

Com a novidade, vai-se o sono porque ela sempre carrega consigo a ansiedade no seu colo.

E assim, as batidas se repetem...repetem...repetem..

Dia a dia."




Danielle

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

De tão exotica....ria!

"A noite parecia quente como no acender de uma vela, sentia minhas mãos procurando o cruzar dos dedos, assim como os braços a envolver o meu formato de mulher. Seus lábios quentes se enroscavam no meu rosto e logo se repeliam na insegurança de um acontecer.



Mas a verdade é que seu corpo salpicado pelo desejo ainda nao havia entregue o que realmente queria.


Só uma ingenua incerteza parecia fazer sentido, nada de contradições e lamúrias, tudo o que acontecia era vigiado pela margem que existia entre o olhar e um toque. Um segundo de alegria cobre o corpo, e separado por um pulsão repentina, fez com que naquele instante nao conhecêssemos a reservada emoção que fora construída simples, aos poucos.


E foi assim que uma intrépida vontade de instalou, nítida e impetuosa, tomou conta daquelas incoerentes vítimas. Como que ao relento ainda nao sabiam que uma semente, um dia, vira flor.
 
Uma flor que de tão exótica... ria."