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Sem encontrar um lugar para se assentar, saiu correndo em busca de alguma coisa que não a fizesse ficar parada no mesmo lugar, correu atrás de rios, pulou montanhas, atravessou pontes, andou..andou...cansou. Parou.
Nesta parada, sem ao menos perceber onde estava, tinha se encontrado. Era ali, naquele lugar. Onde as horas passavam sem que o relógio funcionasse, não havia alto-falantes vindos de fora, só uma sinfonia calma vinda de dentro. Tudo era tão irreal que a levava para pensamentos distantes, pesquisando certas fronteiras, novos caminhos, ia pra longe sem sair do lugar. Às vezes a noite ficava tão clara, mas tão clara, que a sensação que dava era de que ali não havia escuridão.
Uma vez, quando quis voar sobre os limites da inocência, sem pensar que era errado já pensando que era certo, entregou-se como uma folha ao vento de outono, vendo de longe a primavera brotando dentro de si, cores de todas as cores traziam o perfume concreto daquilo que ela sabia, era tão lindo. Perfeita borboleta nos dias quentes, infame, entregue, quase se esquecia de toda sua beleza.
E os dias que se sucederam também eram assim, multicoloridos, e ela adentrava-se cada vez mais na estrada sem rumo, sabendo da parte que lhe cabia, era a parte de fazer-se feliz, encontrar um significado em cada cantinho reservado da vida, tirava do bolso velhas lembranças e jogava-as contra a parede e saía dali sem resgatar nenhum vestígio de passado.
Assim os dias ao contrário foram passando, ela continuava a voar, desta vez mais baixo. Tinha tomado certas condições, ingerido mais coragem, embriagava-se facilmente com oportunidades. Estava sendo radicalmente mudada, como na metamorfose anterior, contudo desta vez, havia bem mais do que corpo, despia-se de alma.
A viagem chegara ao fim, muitas paisagens, enormes vivências. Pouso tranqüilo. Andava suavemente descalça sobre as pedras, diante de um infinito repleto de marcas e direções.
E assim, sem encontrar um lugar para se assentar, ficou parada no mesmo lugar.
Dani*
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Que lindo isso! Tem alma, tem vontade, tem leveza... Me deu vontade de voar. *-*
ResponderExcluirBeijos