domingo, 14 de julho de 2013

As nossas mãos

         Antes do beijo, as mãos tímidas se abraçavam de leve, só com um toque macio pra sentir o calor da pele. Gosto das mãos porque elas, vez ou outra, falam mais que a boca, cada dedo revela um pouco de história. As nossas mãos já brincaram de fazer sombra na madrugada, onde nenhuma palavra mais era necessária, gosto das suas mãos brincalhonas que me fazem cócegas e me acariciam depois do ataque de riso. Gosto das suas mãos quando me segura forte e quase me intimida com o peso delas, mas gosto ainda quando me conduzem ao encontro das suas em qualquer lugar.

        As mãos sentem mais do que o corpo quando contornam cada pedacinho de pele, quando sente o coração ofegante e quando o faz acalmá-lo com os toques suaves de dedos cruzados. Os dedos cruzados enlaçam cada palavra, diz em cada aperto um pouco de verdade. Gosto quando as nossas mãos se aproximam lentamente pra tocar o rosto, e sem dizer nada, dizem tudo. Gosto das nossas mãos quando sem pedir, elas vão sozinhas uma ao encontro da outra. As nossas mãos fazem e acontecem, gosto de segurar suas mãos depois que elas trabalharam tanto, gosto de olhar para as minhas e ver que existe um pouco de você no meu dedo anelar, gosto quando as minhas mãos estão sonolentas e quase caem das suas e quando elas estão atrevidas.

          Gosto das mãos porque elas se dão involuntariamente, se cruzam e se tocam sem nenhum medo e mostram por detrás da pele que existe uma vontade de sempre alcançá-las. Gosto quando as suas mãos me levam pra passear e me seguram na escada rolante, gosto quando as minhas mãos te tocam além do corpo e te dizem para não fumar, gosto tanto quando as nossas mãos conversam só entre elas e mesmo assim temos a sensação de que falávamos horas. Gosto mais do que beijo, quando as nossas mãos se sentem beijadas.

 

Dani* 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ella


“Ela estava lá, presente nos olhos dele...E eu estava aqui tentando de todas as formas trazê-lo de volta ao presente, mas ela tocava se declarando toda, do começo ao fim”.


      Enquanto eu segurava uma taça de vinho pra chamar-lhe a atenção e puxava-o para perto a sentir o calor do batom vermelho, seus olhos naquele momento reluziam fogo, pareciam vidrados enquanto ela passava. Estava vestida como se dizia; rainha do corpo moldado à mão. Percebi sua respiração mais ofegante e seus lábios estremecendo enquanto acompanhava-a no ré-bolado de cá para .
      Os dedos dele contavam a batidas dos compassos dela, e eu me despia para pouco lhe chamar. Ele não voltava e ela não parava, passava pela porta escancarando seus timbres e permanecendo firme em cada batida.
      Num cenário cor sépia – meio a meio sol – ela estava melosa e decidida a reescrever a história a dois. Segurei suas mãos e apertei forte, e nenhum sinal de apreço se fazia , só a sintonia como se olhavam percebia que a luta árdua pela presença de si junto a mi, estava acabada.
      Perdi o ritmo, e ela tão sonoramente atrevida balançava-se, aparecia, entrava em cada parte de seu corpo, cada pensamento que ele tinha. Entrava na história em que eu era apenas poesia.


Dani*