segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ella


“Ela estava lá, presente nos olhos dele...E eu estava aqui tentando de todas as formas trazê-lo de volta ao presente, mas ela tocava se declarando toda, do começo ao fim”.


      Enquanto eu segurava uma taça de vinho pra chamar-lhe a atenção e puxava-o para perto a sentir o calor do batom vermelho, seus olhos naquele momento reluziam fogo, pareciam vidrados enquanto ela passava. Estava vestida como se dizia; rainha do corpo moldado à mão. Percebi sua respiração mais ofegante e seus lábios estremecendo enquanto acompanhava-a no ré-bolado de cá para .
      Os dedos dele contavam a batidas dos compassos dela, e eu me despia para pouco lhe chamar. Ele não voltava e ela não parava, passava pela porta escancarando seus timbres e permanecendo firme em cada batida.
      Num cenário cor sépia – meio a meio sol – ela estava melosa e decidida a reescrever a história a dois. Segurei suas mãos e apertei forte, e nenhum sinal de apreço se fazia , só a sintonia como se olhavam percebia que a luta árdua pela presença de si junto a mi, estava acabada.
      Perdi o ritmo, e ela tão sonoramente atrevida balançava-se, aparecia, entrava em cada parte de seu corpo, cada pensamento que ele tinha. Entrava na história em que eu era apenas poesia.


Dani*

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