“...mas algo de reluzente chamava mais a atenção, à beira da cerca havia uma mangueira, tão nova e formosa que sua juventude transcendia toda a beleza do lugar. Nem sempre fora assim. Ela depois de nascida e criada não despertava mais olhares de outrem e nem se fazia tão humildemente bela, sua textura acabava que por tão macia a cobrir todo o plano, e agora...”
Eu voltava àquele mesmo lugar, onde tantas vezes pensando quis ficar parada, onde parecia que o mundo todo tapava a boca e fechava os olhos só para que eu pudesse sentir o valor do vento. E eu sentia, sentia tão suavemente a brisa cor-de-laranja que passava invisível aos olhos e sensível à pele.
A raiz crescera, seu tronco tomou formas que as listras se distanciaram do chão. E a copa. A copa de tão nova e indecisa pôs-se a murchar com o passar do tempo, suas folhas nao reluziam o mesmo brilho onde a gota do orvalho escorregava tão sublime deixando um rastro de magia por onde passava todos os dias em cada amanhecer.
Na verdade nao havia mais copa, só um amanhecer sem graça coberto pelo resto de vida marrom que nela havia.
Quando a toquei, vi que os riscos estavam apagados, bem como uma cicatriz a fechar aquele corpo nu vindo da terra, ela estava tão diferente, ela estava quase sozinha. Aquele coração que haviam desenhado nela há muito tempo, já não se encontrava mais lá, tentei olhar ao seu redor, passei os dedos sobre o tronco, procurei, mas realmente não estava mais lá. Roubaram um coração! E nem deixaram vestígios para que pudesse ir atrás, levaram para longe aquele sonho de entrelaçar dois nomes outra vez.
Aquela mangueira à beira da cerca estava envelhecida, sua beleza autêntica da juventude estava sem brilho, sabemos como é a juventude, flor da manhã de primavera! Porém, não é preciso ter olhos de poeta pra imaginar o quanto de historia havia nela, o quanto da experiência estava cravado em seus galhos, o quanto de magnitude havia em seus doces frutos.
Mas o que importa, é que ela ainda estava lá, forte e visivelmente esperançosa. Era ela e eu, naquele lugar que ainda ostentava uma paisagem de porta-retrato e uma brisa quase colorida. Fiquei olhando aquela mangueira e um sorriso abraçava minha alma, já sabia que o tempo havia passado. Que bom!
A mangueira também havia crescido e retirado dela aquilo que a sufocava, apagou o coração que lhe causava sofrimento e deu uma nova forma à sua beleza.
Uma beleza que agora se fazia imperfeitamente feliz.
*Dani
Oi menina, tudo bem?
ResponderExcluirQue poética você conserva em seus escritos eim?! Também a questão do tempo? É algo a se levar em conta não é mesmo?! Tão devastador, mas tão cativante... Vale muito refletir com consciencia sobre. Se for com sentimento corremos o risco de nos perdermos nele e nunca mais voltar ao presente.
Beijos!
- Obrigado, novamente, pelo seu comentário. Fico muito feliz com ele.