Quando penso na vida embalada feito plástico que a gente vive, penso logo de onde eu vim, da terra e da água tão naturais como a luz do sol que transcende a janela. Que por sinal fica tão entre-aberta que os ventos vindos do sul escancaram as cortinas soprando-as bem pro alto, quase que como um convite pra dançar junto. Isso do natural me deixa tão bem, e nos faz tão bem. Se não fosse amor, diria que era loucura alguém acordar com a cara amassada, vestida de calça moletom verde-água um tanto já descorada e receber o “bom dia” do jeito mais natural e tão meigo dessa vida. E como eu gosto, gosto tanto e de tudo isso que até contar as marcas do corpo me fascinam, sei que não há no mundo algo mais natural que perceber os defeitos do outro, e nem fazer conta disso. Porque uma hora ou outra a gente descobre que as mãos envelhecem, mas o carinho que elas fazem não, que as rugas na testa tornam-se cada vez mais visíveis, porque certamente traçaram as linhas das preocupações, das decepções, dos sorrisos que nos mataram de rir e deformaram nossos rostos. Lembro de um dia chuvoso, cinza, que não tinha realmente nenhuma graça, mas você pintou a beleza natural daquelas nuvens quase soltas no céu, desmanchadas a cada segundo pelo vento que soprava forte lá fora. Era o natural dos seus olhos que deslumbraram os meus, dias cinzas ganharam a cor da sua beleza, dos seus olhos tão pequenos e audaciosos que encantam os meus, todos os dias. Digo que estar tão perto assim me convence que é possível levar a vida mais frágil, mais simples, menos dramática e frustrada. Era preciso ser transparente, dar-se por inteiro sem ter medo de não ter sido natural. Lentes de fotografias não mostram o que a vida tem ou o que elas são, parecem imagens desconfiguradas como uma gestalt à procura do retrato, sabe? Traços não se moldam, distâncias não se encurtam, perfeição não existe. Pode ser que uma vez aqui, outra ali, as coisas percam o sentido da vida e se desalinhem, fazem parte de um mundo complexo que a gente vive, cheios de incongruências. Incapacidade também de descobrir novos sentimentos porque gosta de pendurar problemas no varal pra todo mundo ver, pregar propaganda no coração e vender a custo.
Ser natural me permite acreditar que o amor existe, lindo sim, natural como natureza, como flor desabrochada no galho mais alto da árvore. Diferença.
Dani*
"Ser natural me permite acreditar que o amor existe, lindo sim, natural como natureza, como flor desabrochada no galho mais alto da árvore. Diferença."
ResponderExcluiré, quanta falta faz isso tudo né? A naturalidade. Algo que devia ser tão comum.
Lindo texto menina!
Seguindo você, obrigado pelo comentário em meu blog. (:
De nada, coisas boas e bonitas devem mesmo serem lidas!
ResponderExcluirUm abraço valentin, e obrigado pela...naturalidade! :)